Cometa bobagens. Não compre manual para criar os filhos, para prender o gozo, para despistar os fantasmas. Não existe manual que ensine a cometer bobagens. Não seja séria; a seriedade é duvidosa; seja alegre; a alegria é interrogativa. Quem ri não devolve o ar que respira. Não atravesse o corpo na faixa de segurança. Grite para o vizinho que você não suporta mais não ser incomodada. Use roupas com alguma lembrança. Use a memória das roupas mais do que as próprias roupas. Desista da agenda, dos papéis amarelos, de qualquer informação que não seja um bilhete de trem. Procure falar o que não vem à cabeça, cantarolar uma música ainda sem letra. Deixe varrerem seus pés, case sem namorar, namore sem casar. Seja imprudente porque, quando se anda em linha reta, não há histórias para contar. Leve uma árvore para passear. Chore nos filmes babacas, durma nos filmes sérios. Não espere as segundas intenções para chegar às primeiras. Não diga "eu sei, eu sei", quando ainda nem ouviu direito. Almoce sozinha para sentir saudades do que não foi servido em sua vida. Ligue sem motivo para o amigo, leia o livro sem procurar coerência, ame sem pedir contrato, esqueça de ser o que os outros esperam para ser os outros em você. Transforme o sapato em um barco, ponha-o na água com a sua foto dentro. Não arrume a casa na segunda-feira. Não sofra com o fim do domingo. Alterne a respiração com um beijo. Volte tarde. Dispense o casaco para se gripar. Solte palavrão para valorizar depois cada palavra de afeto. Complique o que é muito simples. Conte uma piada sem rir antes. Não chore para chantagear. Cometa bobagens. Ninguém se lembra do que foi normal. Que suas lembranças não sejam o que ficou por dizer. É preferível a coragem da mentira à covardia da verdade. (Fabrício Carpinejar)
"Apesar do medo, escolho a ousadia. Ao confronto das algemas, prefiro a dura liberdade. Voo com o meu par de asas tortas, sem o tédio da comprovação. Opto pela loucura, com um grão de realidade" Lya Luft
quinta-feira, 11 de agosto de 2016
COMETA BOBAGENS
Cometa bobagens. Não compre manual para criar os filhos, para prender o gozo, para despistar os fantasmas. Não existe manual que ensine a cometer bobagens. Não seja séria; a seriedade é duvidosa; seja alegre; a alegria é interrogativa. Quem ri não devolve o ar que respira. Não atravesse o corpo na faixa de segurança. Grite para o vizinho que você não suporta mais não ser incomodada. Use roupas com alguma lembrança. Use a memória das roupas mais do que as próprias roupas. Desista da agenda, dos papéis amarelos, de qualquer informação que não seja um bilhete de trem. Procure falar o que não vem à cabeça, cantarolar uma música ainda sem letra. Deixe varrerem seus pés, case sem namorar, namore sem casar. Seja imprudente porque, quando se anda em linha reta, não há histórias para contar. Leve uma árvore para passear. Chore nos filmes babacas, durma nos filmes sérios. Não espere as segundas intenções para chegar às primeiras. Não diga "eu sei, eu sei", quando ainda nem ouviu direito. Almoce sozinha para sentir saudades do que não foi servido em sua vida. Ligue sem motivo para o amigo, leia o livro sem procurar coerência, ame sem pedir contrato, esqueça de ser o que os outros esperam para ser os outros em você. Transforme o sapato em um barco, ponha-o na água com a sua foto dentro. Não arrume a casa na segunda-feira. Não sofra com o fim do domingo. Alterne a respiração com um beijo. Volte tarde. Dispense o casaco para se gripar. Solte palavrão para valorizar depois cada palavra de afeto. Complique o que é muito simples. Conte uma piada sem rir antes. Não chore para chantagear. Cometa bobagens. Ninguém se lembra do que foi normal. Que suas lembranças não sejam o que ficou por dizer. É preferível a coragem da mentira à covardia da verdade. (Fabrício Carpinejar)
sexta-feira, 29 de julho de 2016
VIDINHA MAIS OU MENOS....
.
O cheiro da pólvora ao riscar o fósforo. A água fervendo no fogão . O café sem açúcar. As ruas ainda vazias. Os pés pisando em folhas secas. O primeiro raio de sol batendo no rosto . A música tocando nos fones da alma. O cachorro de rua abanando o rabo. O plástico bolha. A palavra escrita. . Os sonhos de quem não dormiu ainda acordados. As angústias dormindo até mais tarde. Meus dilemas sonolentos e silenciosos até agora. O banho quente e demorado antes de ir para o trabalho: de todas as minúsculas felicidades do meu dia a dia.... Vidinha mais ou menos....
O cheiro da pólvora ao riscar o fósforo. A água fervendo no fogão . O café sem açúcar. As ruas ainda vazias. Os pés pisando em folhas secas. O primeiro raio de sol batendo no rosto . A música tocando nos fones da alma. O cachorro de rua abanando o rabo. O plástico bolha. A palavra escrita. . Os sonhos de quem não dormiu ainda acordados. As angústias dormindo até mais tarde. Meus dilemas sonolentos e silenciosos até agora. O banho quente e demorado antes de ir para o trabalho: de todas as minúsculas felicidades do meu dia a dia.... Vidinha mais ou menos....
quarta-feira, 27 de julho de 2016
Deixei poucas pessoas conhecerem a mulher que me habita. Essa de verdade, cheia de imperfeições e desordens íntimas, mas que carrega mais ternura do que se pode imaginar. Eu e meus olhos atrevidos, minha fome de amor, e essa fragilidade engraçada de quem quer ser a protagonista de um sonho bom. Não que eu quisesse um compromisso com a eternidade, mas poucos souberam do meu corpo, das minhas marcas, das manhãs de preguiça e do rosto sem maquiagem. É que preciso acreditar para me mostrar. Porque se mostro meus medos, minhas incoerências e fraquezas, e só o que consigo é uma rasteira, fico tão desabitada. Sou uma cidade vazia. Acho que é por isso que por muito, muito pouco, fecho a porta e volto para a minha vida.
IMPERFEIÇÕES
Deixei poucas pessoas conhecerem a mulher que me habita. Essa de verdade, cheia de imperfeições e desordens íntimas, mas que carrega mais ternura do que se pode imaginar. Eu e meus olhos atrevidos, minha fome de amor, e essa fragilidade engraçada de quem quer ser a protagonista de um sonho bom. Não que eu quisesse um compromisso com a eternidade, mas poucos souberam do meu corpo, das minhas marcas, das manhãs de preguiça e do rosto sem maquiagem. É que preciso acreditar para me mostrar. Porque se mostro meus medos, minhas incoerências e fraquezas, e só o que consigo é uma rasteira, fico tão desabitada. Sou uma cidade vazia. Acho que é por isso que por muito, muito pouco, fecho a porta e volto para a minha vida.
domingo, 17 de julho de 2016
SE VOCÊ TENTAR....
Se você for tentar, vá até o fim.
Senão, nem comece.
Se você for tentar, vá até o fim.
...
Senão, nem comece.
Se você for tentar, vá até o fim.
...
Isso pode significar perder namoradas,
esposas, parentes, empregos e
talvez sua cabeça.
Vá até o fim.
Isso pode significar não comer por 3 ou 4 dias.
Pode ser congelar em um banco de praça.
pode ser cadeia,
pode ser o ridículo,
chacota,
isolamento.
Isolamento é a dádiva.
Todo o resto é um teste de sua resistência
do quanto você realmente quer fazer isso.
E você vai fazer
Independente da rejeição e das piores dificuldades
será melhor do que qualquer outra coisa
que você possa imaginar.
Se você for tentar, vá até o fim.
Não há outro sentimento como esse.
você estará sozinho com os deuses
e as noites se inflamarão em chamas.
Faça, faça, faça.
Até o fim.
Você guiará sua vida direto para o riso perfeito,
essa é a única boa briga que existe.
*
Porque, às vezes, é preciso dizer - sem blefar – qual é o jogo. Jogue os dados, baby…
esposas, parentes, empregos e
talvez sua cabeça.
Vá até o fim.
Isso pode significar não comer por 3 ou 4 dias.
Pode ser congelar em um banco de praça.
pode ser cadeia,
pode ser o ridículo,
chacota,
isolamento.
Isolamento é a dádiva.
Todo o resto é um teste de sua resistência
do quanto você realmente quer fazer isso.
E você vai fazer
Independente da rejeição e das piores dificuldades
será melhor do que qualquer outra coisa
que você possa imaginar.
Se você for tentar, vá até o fim.
Não há outro sentimento como esse.
você estará sozinho com os deuses
e as noites se inflamarão em chamas.
Faça, faça, faça.
Até o fim.
Você guiará sua vida direto para o riso perfeito,
essa é a única boa briga que existe.
*
Porque, às vezes, é preciso dizer - sem blefar – qual é o jogo. Jogue os dados, baby…
PENSANDO NA VELHECE....
Já vi mil listas que mostram as evidências de que estamos ficando velhos. Resolvi também fazer a minha listinha : - A gente deixa de ser criança quando a chuva deixa de ser convite para para a rua e passa a ser convite para ficar debaixo da coberta. - A gente está ficando velho quando não tem mais grandes expectativas para "a festa do ano". Aproxima-se uma festa e só o que a gente pensa é: já vi esse filme. E já vimos mesmo. - Quando não vale mais a pena sacrificar o presente em prol de um futuro promissor. - Quando a gente começa a achar que homem é igual a criança: uma maravilha, mas cansa pra caramba. - Quando o termo "novo amor" provoca um "Deus-me-livre" ao invés de um "queira Deus!" - Quando definitivamente deixamos de acreditar nas promessas dos vendedores. - Quando não temos mais paciência para fingir que acreditamos nos homens. Aliás, quando não temos mais energia para fingir NADA para agradar ninguém. - Quando somos verdadeiros ao dizer que não estamos mais nem aí para as nossas gordurinhas. Antes era só bravata. - Quando é verdade que não estamos nem aí se não tivermos um companheiro. Antes também era só bravata. - Essa frase não é minha, mas merece estar aqui: "Estamos ficando velhas quando nos divertimos mais ao lado de um homem do que debaixo dele." - Quando alguém diz que vai lhe dar uma jóia ou uma roupa muito bonita e cara e você responde: "ah, pra quê?!" - Quando um homem lhe dá uma cantada e entre tantas possíveis respostas positivas ou negativas você apenas diz: "cara, não me encha o saco!" - Quando, vemos um acrobata ou adepto de esportes radicais e ao invés de lhe admirar a arte, só conseguimos pensar em como o ficaríamos moídos se tentássemos fazer a mesma coisa. E por aí vai. A coisa não pára não
sábado, 9 de julho de 2016
O AMOR É LENTO MESMO
Cobrar afeto é pior do que agredir fisicamente. Incha mais do que um tapa na cara. É cortar as palavras mais do que os lábios. Assume-se a condição de credor, como se o amor fosse uma dívida.
Assume-se uma posição superior em relação ao cobrado. Uma posição hierárquica, de chefe reivindicando o cumprimento dos prazos. Toda hora se deseja ouvir "eu te amo", como se o amor fosse chiclete para ocupar a boca. O amor não é uma versão de Windows que precisa ser atualizado a cada ano para girar mais rápido.
O amor é lento mesmo.
[Crônica "Cobranças", in: O Amor Esquece de Começar, Carpinejar,
Assinar:
Postagens (Atom)
O AMOR NO COLO A dor não pede compreensão, pede respeito. Não abandonar a cadeira, ficar sentado na posição em que ela é mais aguda. Vejo ...
-
Amanhã é sexta. E daí? Depois de domingo é segunda. E dai?. Tudo continua acontecendo, escorrendo, derretendo e se consumindo sem a minha in...
-
Às vezes acordava de noite e via as estrelas avançarem tão convincentes que não podia entender que alguém fosse capaz de desperdiçar tanto m...




