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sábado, 4 de fevereiro de 2012

SALTO A SECO

Me pari. Face a face. Face a faca. Olhei no espelho e não tinha a idade do meu rosto. Tinha nos olhos mil anos luz e mil rugas em cruz. Nos cantos da boca - o medo do salto. E aquela angustia solta pelo corpo. Angustia de boneca quebrada. Há momentos na vida em que, partidos ao meio, não dá para adiar, tem que ser pra já. Saltei! E fui juntando os restos de mim mesma como a florista que tenta reunir num ramo as rosas amarelas inacessíveis. Renasci iluminada. Sem muletas. Um a um, fui furando os balões coloridos dos meus sonhos ruins. E as bolas murchas na mão eram como pedaços de pele arrancados à minha fantasia. A realidade não doi, Elzinha! Ela é vida, movimento, dialética, A realidade é o meu momento, o teu momento, ali interno, seco e só. A realidade é como o pão: bom senso! Eu me seguro, tu te seguras, ele me segura, nós nos seguramos, vós nos segurais, eles não se seguram. Vou recuperando o universo da minha solidão. Enriquecida depois do salto. E eu. Vou ganhando de mim. Me desafiei e quase me reencontrei inteirinha pacificada.

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